terça-feira, 22 de abril de 2008

Palavras

Caros, peço que, antes de lerem o que postarei agora, que leiam o post abaixo, com um texto simplemente fantástico do Arnaldo Jabor (ele mesmo, não foi um clone...). Esse artigo saiu no jornal "O Estado de São Paulo" nessa terça-feira, 22/04/2008 e também nesse site. Leiam antes, é um texto um pouco longo, mas vale cada palavra lida e desse modo, meu post não ficará meio "perdido".




Cheguei a postar aqui sobre o caso Isabella, que há quase 3 semanas domina a imprensa. O que o Arnaldo Jabor escreveu, li com muita emoção e concordei com cada palavra dele. É incrível como falta rigor, critério, seriedade e agilidade (entre tantas outras coisas) a nossa frouxa e ridícula "justiça". Tenho reclamado há tempos dessa falta de respeito com o cidadão, com a sociedade. Sim, quase tudo o que vivemos e vemos hoje, é por causa da falta de rigor, de seriedade da nossa "justiça". O desastre cotidiano poderia ser bem menor se a "justiça" fosse justa. É revoltante ver como os criminosos agem impunemente e são amparados pela lei. Não tomo só como base o que ouço ou leio dos jornalistas. Meu amigo, há alguns anos (3 ou 4), falou que iria começar a roubar carros e pararia quando completasse 18 anos (na época ele estava com 16, quase 17), pois se ele fosse preso antes dos 18, ao atingir a "maioridade", seria libertado, como se ele nunca tivesse cometido um crime. E agora temos essa decisão ridicula da justiça de deixar um concorrente de "Jack Estripador" solto, pois ainda restam recursos a serem recorridos.
É revoltante isso. E a sensação ainda é pior quando se vê o que acontece não apenas com os olhos, mas com o coração. O que vemos na TV acontece com os outros, pessoas que nunca conhecemos, nunca falamos ou vimos antes de tal crime. Mas se ponha no lugar da familia das vitimas. Na familia da namorada do Pimenta Neves, do João Hélio. E não somente isso, troque o João Hélio pelo seu filho, pelo seu sobrinho, pelo seu irmão. Troque a Isabella pelo seu bebê, pela sua afilhada. Troque a namorada do Pimenta Neves pela sua esposa, pela sua namorada, pela sua amada. O que falta pra nossa jutiça é compaixão. É uma justiça seca, desumana. O humano é movido por sentimentos, mas a justiça continua avaliando cada um como se fossem robôs... Claro que não! Como colocar, lado a lado, uma mulher que rouba um quilo de arroz para dar para o filho e aquele ladrão que levou a sua carteira para ter dinheiro e comprar drogas? São crimes? Sim, são, mas, na minha opinião, não merecem ter a mesma punição.
Não consigo ficar neutro, insensivel perante situações como essas. Sempre que ouço uma história, me imagino nela, imagino as coisas acontecendo comigo e meus queridos. É muito ruim você sair de casa e ter a sensação de que você pode voltar e não mais encontrar a pessoa que você ama, que te criou, te educou, te ensinou, que criou com você uma familia, que te ajudou nas horas mais dificeis, que te faz feliz, seja lá como for. Ou até que VOCÊ pode não voltar mais. É horrível você imaginar que o que aconteceu com essas pessoas que ficam famosas devido ao tamanho da tragédia possam acontecer com você e sua familia. Sabe quando isso vai acabar? Só quando o que valer mesmo for respeito, amor, compaixão, união. Quando a nossa justiça avaliar caso por caso e não que "todos são iguais". Nós não somos! Cada um tem um jeito de ser, não podemos ser julgados da mesma forma. Se não, não haveria a necessidade de um jmulgamento, seria tudo padronizado... Roubou um carro ou R$10? 15 anos de prisão.. Justo?? Óbvio que não.
Assim como escrevi no final do "Manual Dicionário dos Bons Modos", termino do mesmo jeito esse texto...

All we need is love...

6 comentários:

Susanna Martins disse...

É meu caro amigo, é difícil essa dura realidade que vivemos, penas iguais para crimes e criminosos diferentes. A justiça realmente é cega, surda e muda, sim muda. Ela não fala o que precisa, não pune como deveria e não escuta o apelo de uma sociedade que quer apenas viver em paz.
Quando isso vai acabar? Não sabemos! Quando vai mudar? Nem podemos imaginar. Mas infelizmente é assim, é com isso que temos que conviver; com Isabellas, com as namoradas, com o João Hélio e vários outros que tristemente irão aparecer.
Parece que a fama hoje se resume em toda barbaridade cometida, seja com uma criança ou adulto. Mas podemos de algum jeito mudar tudo isso. As salas de faculdades de direitos estão cheias, os cursinhos preparatórios para concursos nas áreas jurídicas também. O que nos resta agora são essas pessoas mudar a nossa dura realidade.
Um grande abraço e parabéns pelo belo texto!

Susanna Martins

Susanna Martins disse...

É com grande prazer que indico vc meu amigo:
"Blogueiros que sabem comentar".
Para pegar o selo e obter mais informações, visite:
http://blogueirosquesabemcomentar.blogspot.com/

Faça bom uso desse títuloo!!

Fabi disse...

Realmente o que vc e o Arnaldo Jabor escreveram me tocou, a crueldade que tomou conta das pessoas é assustadora, até onde mais o ser humano é capaz de ir? Pra mim, a justiça que acoberta "cidadãos" como esses, é tão cruel qto os praticantes dos atos cruéis. É o mesmo que dizer : "Isso acontece todo dia, o que se pode fz, somos todos iguais não é?" É um justiça insensível que está tornado as pessoas insensíveis e acostumadas com essa crueldade. Como Arnaldo Jabor disse, criando peles de rinoceronte nas pessoas. Não me acostumo com o fato de que as pessoas estão piores a cada dia, isso me dá medo, pela minha família, por mim e do que está por vir, do que mais as pessoas irão ser capazes da fazer. Muito bem escrito o seu post, traduziu o que muitas pessoas estão sentindo, inclusive eu.
abraços

Juliana Petroni disse...

"Sabe quando isso vai acabar? Só quando o que valer mesmo for respeito, amor, compaixão, união."
Sem palavras.
Bjo
Ju

HenriqueM disse...

Eu prefiro me manter longe disso como posso. Não vejo TV, a não ser para ver desenho animado quando estou em casa. Sei que é egoísmo meu, mas eu consigo me manter neutro a essa situação. Se acontecesse com um ente querido meu, eu realmente ficaria afetado. Mas eu prefiro não pensar nessas hipóteses ruins.

O que eu desejava mesmo é que pelo menos os culpados não fossem os pais dela própria. Isso não adiantaria muita coisa, mas seria melhor do que saber que ela morreu nas mãos de alguém que amava.

Bem, pelo menos a imprensa rende com tudo isso. Uma coisa terrível, mas é o que penso.

Ah, e obrigado por ler meu texto. Acho que realmente falta um bocado de "html" no nosso mundo.

Abraços.

Juliana Gulka disse...

Muito difícil de comentar, por que concordo com as suas palavras e na verade não sei o que acrescentar. Mas você já parou pra pensar como funciona a lavagem cerebral? Caso Isabella toda hora na Globo, e o povão esquecido lá com a Dengue. Reaprou como as notícias referentes ao RJ diminuiram?
Então... que venha o circo...