quinta-feira, 14 de maio de 2009

Violência em São Paulo

A noite de quarta-feira na Penha, zona lesta de São Paulo, foi bem violenta.

Após uma ação policial que prendeu um rapaz acusado de tráfico de drogas no final da tarde, um ônibus foi roubado e a Polícia teve que agir novamente.

O ônibus, um microônibus e um caminhão foram incendiados por protestantes, que entraram em confronto com os militares.


Imagem da Globo.com

A Polícia alega ter sido agredida com pedradas e pauladas e afirma que o assalto aos passageiros do ônibus não teve relação com a prisão do jovem de 18 anos.

A população reclama da ação dos policiais que, segundo os moradores, chegou empurrando todo mundo, chutando portas e passando a impressão de que todos na comunidade eram ladrões. E defendem que o jovem preso não tem relação com o tráfico.


Imagem da Globo.com

Mais uma vez São Paulo assiste a uma guerra entre policiais e moradores. O confronto poderia ter sido pior, pois o fogo dos ônibus incendiados acertou a fiação elétrica, que deixou o bairro da Penha sem luz, além de ter se espalhado até poucos metros de um posto de combustível. Para complicar ainda mais, motoristas que passavam pela região foram assaltados.

Um conflito que retrata os dois lados da mesma moeda:

A população reclama da ação da polícia alegando abuso da força, mas quando chegaram no local, os militares foram recebidos com pedradas e pauladas. Além disso, os assaltos aos motoristas que estavam parados no congestionamento e o assalto aos passageiros de um dos ônibus que foi queimado deixam no ar a pergunta: A população é tão inocente quanto parece nas declarações? Será que os policiais realmente exageraram no uso da força? E o dono do caminhão incendiado, quem vai pagar?

Claro, a Polícia não é santa. Exemplo disso é que nessa mesma noite, pouco depois da guerra na zona leste, na zona sul um policial da reserva da PM dirigia aparentemente embriagado, de acordo com as vitímas. Ele bateu em três veículos, fugiu e só parou na última colisão, quando se machucou bastante.

Esses probemas mostram que autoridades e população ainda não falam a mesma língua. As medidas de prevenção e combate ao crime ainda precisam ser muito melhoradas, pois apesar da queda dos indíces de criminalidade em São Paulo, a sensação de insegurança ainda é enorme. Já a população precisa aprender que os policiais não devem chegar na comunidade distribuindo doces e brinquedos aos moradores. 

Além do que, protestar queimando ônibus e assaltando motoristas não ajuda em nada. A Polícia tem como missão ajudar e proteger a população, e é pra isso que eles são treinados e precisam pôr em prática com mais eficiência. Mas a população também precisa começar a ajudar a Polícia e, mais do que isso, se ajudar.

Atualização: Um detalhe bem visto pela Paula que não foi citado no post é que a ausência do Estado abre espaço para que outras organizações tomem a liderança de uma comunidade. O fato de os moradores terem ficado contra a Polícia é uma derrota enorme para o Estado. Afinal, quais são as condições de vida naquela região? Qual a atenção dedicada pelo Governo às pessoas que vivem ali? O saneamento básico atende a todos? Há patrulhamento policial eficiente e constante lá? Há assistência social, atendimento às necessidades da comunidade? Dificil conseguir responder "sim" para alguma das últimas perguntas e mais difícil ainda é encontrar uma resposta satisfatória para as outras questões. A ausência do Estado, as falhas no sitema de educação, saúde/saneamento e segurança, básico para um Estado que é o motor de um dos países em crescimento, são gritantes não somente na Penha, mas em grande parte dos bairros de São Paulo.

3 comentários:

Paula Calloni disse...

É como dizem, onde o Estado não está, os traficantes estão e compram as comunidades. Mas, o que dizer dos honestos, dignos, trabalhadores que moram nas favelas? Estes merecem uma vida melhor...a estes o Estado deve dar assistência e a polícia, defender.

O Jornalista disse...

Exatamente Paula. Essa confusão toda pode ser vista como uma derrota enorme para o Estado.

Su disse...

HOje pela manhã quando vim trabalhar eu vi a triste notícia no telejornal. E eu fico me perguntando como é que o Estado deixou isso acontecer, bandidos e traficantes estão tomando conta das nossas comunidades, mas sempre há uma esperança de mudar essa triste realidade!!
Abraços, meu amigo!